sexta-feira, 15 de abril de 2011


Quando pensava em parar, o telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?), uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar[...]insistiu, para sermos felizes juntos. Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim, e aquela voz repetiu e repetia que me queria desta vez ainda mais, de um jeito melhor e para sempre agora.

quarta-feira, 13 de abril de 2011


Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.

Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.

domingo, 10 de abril de 2011

 

Eu precisava das suas mentiras hoje para poder sentir uma paz de espírito que eu só sinto quando você menti que me ama, menti que me quer, menti que me deseja pra sempre como tua única e eterna mulher. Então menti pra mim hoje, menti pra mim amanhã, simplismente minta, pois existe uma parte iludida de mim que adora saber das suas mentiras.

Elen Abreu

sábado, 9 de abril de 2011


Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.

Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que eu quero te fazer. E de eu ser assim e falar tudo na lata. E de eu não fazer charme quando simplesmente não tem como fazer. E de eu te beijar como se a gente tivesse acabado de descobrir o beijo. E de eu ter ido dormir com dor na alma o final de semana inteiro por não saber o quanto posso te tocar. Não tenha medo de eu ser assim tão agora. E desse meu agora ser do tamanho do mundo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011


Eu quero ser possuída por você, pelo seu corpo, pela sua proteção, pelo seu sangue. Me ama! Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim. Com sua carne e o seu amor. Eternamente, infinitamente dentro de mim me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando. Como uma tarde dentro do elevador, no verão, voltando da praia e você me abraçou e eu te abracei. E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo, mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos. A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome, da tua mão conduzindo a minha mão, do teu corpo revelando o meu corpo, como se o mundo fosse pela primeira vez. Você o meu ponto de referência nessa cidade.
Maria Bethânia 

domingo, 3 de abril de 2011


'Agora me diz como posso ter esperança se a cada corda que eu agarro para me erguer do fundo desse poço quebra antes mesmo que eu consiga chegar ao meio do caminho?'

Ana Eliza

'Negue seu amor, o seu carinho. Diga que você já me esqueceu. Pise, machucando com jeitinho este coração que ainda é seu. Diga que meu pranto é covardia, mas não se esqueça que você foi meu um dia. Diga que já não me quer, negue que me pertenceu que eu mostro a boca molhada ainda marcada pelo beijo seu.'
Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser. E de dizer coisas que podem magoar e te ofender. Mas cada um tem o seu jeito todo próprio de amar e de se defender.  Você me acusa e só me preocupa, agrava mais e mais a minha culpa. Eu faço, e desfaço, contrafeito.  O meu defeito é te amar demais, palavras são palavras e a gente nem percebe o que disse sem querer  e o que deixou pra depois. Mais o importante é perceber que a nossa vida em comum depende só e unicamente de nós dois. Eu tento achar um jeito de explicar, você bem que podia me aceitar. Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser mas é assim que eu sei te amar.

Maria Bethânia - Um jeito estúpido de te amar.