quinta-feira, 31 de março de 2011


Veja só quantas feridas você me deixou. Quantos traumas, quantas averssões, quantos medos, tantas inseguranças. Você foi embora levando o que tinha de mais belo em mim. Minha pureza, meus sonhos, meu desejo de amar. Me deixou fria, seca, rude, infléxivel. Sabe, eu tenho um imenso medo de amar. Tenho medo de me entregar, de recíprocridade. Quando um novo cara tentar chegar perto do meu coração eu rapidamente reajo. Me faço de bruta, mudo totalmente meu jeito, tudo isso pelo medo de novamente partirem meu coração em mil pedaçinhos. E se por acaso eu deixo o cara tentar me conquistar logo vem as incertezas. Para mim todos são iguais a você. Todos parecem querer brincar com meu coração, querer me deixar novamente na fossa. Eu criei muralhas o meu redor. Eu tranquei meu coração a sete chaves e mesmo assim essa dor ainda restou. Mas cara, não pense que vai ser sempre assim. Um dia eu encontrarei alguém que vai derrubar essa muralha, encontrar todas as chaves, derreter meu coração e finalmente, me salvar de mim mesma.

Ana Eliza

terça-feira, 29 de março de 2011



Primeiro você cai num poço. 
Mas não é ruim cair num poço assim de repente?
No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. 
Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A
gente não sente medo?
A gente sente um pouco de medo mas não dói. 
A gente não morre? 
A gente morre um pouco em cada poço. 
E não dói? 
Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.

Caio Fernando Abreu.

sábado, 26 de março de 2011


Não quero a tristeza. Não, hoje não. Hoje eu quero sorrir! Sem motivo, sem vergonha, sem medo. Quero todos os ventos felizes que anseiam me rodear; quero atraí-los a mim. Quero fazer valer essa vontade avassaladora de respirar alegria, não importa de onde venha. Quero todo carinho disponível, quero todos os sorrisos conquistáveis, quero a serenidade de um olhar amoroso, quero doar abraços sinceros, quero aquela amizade que aconchega, quero a felicidade que está contida na simplicidade de cada momento. Quero a beleza do viver. Alegria, esbanje-se! Saia por aí dando suas piruetas, expulse a frieza dos corações. Seja folgada, espaçosa, inconveniente! Entre! Não precisa bater. Eu só te peço uma coisa: por favor, me faça sorrir. Hoje, eu só preciso sorrir. 

Emilly Benevenuto

Ouça aqui, mocinha. Não fique pensando que o mundo lhe pertence não. Não caia nessa onda. E outra coisa – não se esforce. Pelo o menos não tanto. Não fique ai remendo contra a maré. Dando muro em ponta de faca. Veja – se não fora pra ser, não vai ser. Acredite em mim. Coisa boba essa sua tentativa de ir além. E olhe, eu não estou pedindo pra você desistir não, não é isso. Eu só quero que você pense mais, que leia mais. Que tenha argumentos melhores. Você está muito nova ainda. Cresce!

Fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Preciso saber que tu está bem, se respira, se comeu ou tomou banho - com o calor que está fazendo neste verão, tome pelo menos uns três ao dia, e pense em mim, estou com calor também. Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. Ah, e eu estou te esperando, com meu vestido curto, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte, e te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti.

Caio Fernando Abreu

Está tudo planejado: se amanhã o dia for cinzento, se houver chuva ou se houver vento, se eu estiver cansado dessa antiga melancolia, cinza fria sobre as coisas conhecidas pela casa, a mesa posta e gasta. Está tudo planejado: apago as luzes, no escuro e abro o gás de-fi-ni-ti-va-men-te. Ou então visto minhas calças vermelhas e procuro uma festa onde possa dançar rock até cair.

Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. (...) Sabe Zé, no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Uns vem, uns vão. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa. Eu queria te dizer que eu sinto muito, Zé. Mas eu não posso te dizer isso porque a verdade é que eu não sinto mais nada. Nadinha, Zé.

(Tati Bernardi)

Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos. Passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.

Martha Medeiros.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Frejat - 3 minutos.


Eu não tenho nem mais 3 minutos pra você. Eu não tenho nem mais meia palavra pra te dizer. Se nenhum amor dura pra sempre, nenhuma dor também. Eu não tenho nem mais 1 segundo pra você, eu não tenho a cabeça no lugar pra te dizer. A gente acha o que procura, existe sempre um outro alguém. Eu já me cansei dessa história, não vou viver de memórias.Viver é bem mais. Eu não quero mais saber de você. Eu não tenho mais vontade de te ter. Se nenhum amor dura pra sempre, nenhuma dor também. Não quero mais sentir teu cheiro, não quero mais ouvir tuas palavras. Eu já me cansei dessa história, não vou viver de memórias.Viver é bem mais.

quinta-feira, 24 de março de 2011


E eu assumi meu peso, eu assumi meu medos, eu assumi toda a merda. E assim, voei ainda mais alto, como se flutuasse. Eu peguei pra mim tudo o que soltava por aí e, surpreendentemente, fiquei mais leve. Se dava pra ir de pesadelo pra sonho deitada, imagina o que eu não poderia fazer da minha vida a hora que ficasse em pé.

Tati Bernardi